O VAI E VEM DO MERCADO FINANCEIRO – COMPRO TÍTULOS PÚBLICOS AGORA?

COPOM mais uma vez nos brindou com uma nova alta da taxa básica de juros brasileira, a SELIC

Não que não fosse esperada – o mercado já vinha antecipando esse movimento há meses, com bancos e corretoras apostando em altas até mais expressivas. 

Para quem não lembra, a SELIC basicamente serve como um instrumento de controle da política monetária brasileira, com a função primordial de manter as rédeas da INFLAÇÃO

A inflação, que foi o grande terror da nossa economia por décadas, sossegou seu facho desde a criação do Plano Real, da SELIC e do regime de metas de inflação, mas vez em quando ela da as caras. 

A projeção do IPCA, nossa inflação oficial, para final de 2021, segundo a última pesquisa FOCUS do Banco Central da segunda, 21/06, indica 5,90% e 3,78% para 2022. 

Se a atividade econômica surpreender e outras variáveis como aprovação da reforma tributária saírem, provável que a tenhamos surpresas em relação ao aumento da inflação, o que pode levar a novos aumentos na SELIC, além dos já esperados:

2021 – 6,50%

2022 – 6,50%

OK E COMO TUDO ISSO AFETA MINHA DECISÃO DE INVESTIR?

Dependendo do seu Perfil de Investidor – e você pode saber mais sobre esse assunto no meu artigo “Quem é você, Investidor?”(clique em cima para ler) – a diversificação da sua carteira fará toda a diferença para maximizar o seu retorno e minimizar o seu risco.

Segundo o conceito básico de inflação – a perda do poder de compra – se a maior parte do seu recurso estiver alocado em algum ativo que lhe traga baixo risco (SEGURANÇA), porém retorno inferior a 6,0% ao ano, em 2021 (IPCA projetada para 2021), seu ganho ao final será ZERO.

ZERO! SIM! Isso se chama LUCRO ou GANHO ou TAXA DE JUROS REAL

É a taxa de rendimento nominal que você obteve no seu ativo financeiro (digamos, na poupança, pagando 4% em 2021) menos a inflação do ano. 

Essa conta TEM que ser feita SEMPRE quando se pensa em investimentos financeiros. 

Mesmo você decida por investir em algo que lhe pague um percentual do CDI, que no Brasil acaba sendo o mais comum índice que remunera os ativos financeiros. 

QUEM É ESSE TAL DE CDI?

Para quem ainda não foi apresentado, o CDI é uma abreviatura de Certificado de Depósito Interbancário. 

Para não complicar demais, ele representa uma média do dinheiro trocado diariamente entre os bancos, para eles fecharem seus caixas (uns bancos têm dinheiro sobrando, outros não e por norma, os caixas têm que ser zerados todo dia). 

CDI remunera muito próximo ao custo da SELIC, diariamente. Então se a SELIC sobe, o CDI acompanha. Se você aplica em um ativo que lhe paga um percentual do CDI, naturalmente seu ganho aumentará.

Até recentemente, quando a SELIC/CDI estava nos níveis abaixo de 4% e o IPCA rodando acima desta faixa, claramente não havia milagre: quem alocava suas finanças em percentuais do CDI (abaixo de 100% CDI, principalmente) estava perdendo dinheiro. 

Por quê? Porque, novamente, a INFLAÇÃO comia seu poder de compra. 

Só se beneficiava do CDI quem assumia riscos em aplicações tais como fundos multimercados de perfil moderado e arrojados, cujo patrimônio líquido era bem diversificado em várias classes de ativos e que acabavam por sacrificar a liquidez pelo retorno.

Esses investidores poderiam obter 200/300% do CDI, já fazendo sentido em termos de preservação do poder de compra e retorno real. Mas não é exatamente o tipo de investimento que cabe no bolso, nem no perfil de qualquer investidor. 

CDI X IPCA

Aí vem a grande questão: como ganhar e não perder dinheiro ao mesmo tempo? 

O processo de investir seus recursos passa, como já vimos, pela clareza quanto aos seus Propósito-Visão-Valores de vida (que eu falo um pouco nesse artigo– clique aqui para ler), pela determinação do seu Perfil de Investidor, pelo seu horizonte de investimento e necessidades de liquidez e pela sua reserva de emergência.

Não vou me ater muito sobre como desenvolver uma reserva de emergência pois no artigo acima já abordei, mas cabe frisar que ela basicamente deve ser composta por ativos líquidos e preferencialmente que tenham baixo risco – percentuais do CDI. 

Exemplos de ativos que servem para compor não somente a reserva de emergência como também uma reserva de renda passiva são os TITULOS PUBLICOS FEDERAIS.

E entre esses títulos públicos federais, os mais conhecidos são o TESOURO SELIC e o TESOURO IPCA.

O Tesouro SELIC é um título de rendimento pós-fixado à SELIC. Você recebe exatamente o que a SELIC pagará. É considerado o mais seguro dos títulos de renda fixa.

O Tesouro IPCA é um título de rendimento híbrido, corrigindo o valor aplicado pela inflação/ IPCA e pagando uma taxa prefixada definida no momento da aquisição do papel.

Olhando para um horizonte maior de alguns anos, títulos que vão pagar a inflação mais uma taxa real têm melhor rendimento. E isso levou os títulos atrelados à inflação a se tornarem os mais vendidos na Tesouro Direto em 2021.

Tesouro IPCA com fim do prazo mais curto, em 2026, oferece mais de 3% ao ano mais a inflação. Já o título com data de vencimento mais longa, em 2055, oferta mais de 4% ao ano mais o IPCA. São taxas bem acima da Selic, atualmente em 4,25% ao ano.

PROTEÇÃO DA INFLAÇÃO SOMENTE COM TITULOS PÚBLICOS?

A disparada da inflação levou as pessoas a buscar proteção contra ela principalmente através do TESOURO DIRETO. Mas esse não é o único caminho disponível atualmente. 

Além da opção do Tesouro IPCA, os bancos e corretoras vem oferecendo variações em seus produtos mais tradicionais, como os CDBs, LCIs e LCAs atrelados à inflação.

Ou seja, você troca a tradicional remuneração do CDI num CDB, numa LCA, pelo IPCA mais uma taxa pré, o que pode ser uma boa opção.

Lembrando que, nesses casos, é possível conseguir buscar rentabilidades ainda mais altas em papéis indexados à inflação privados, já que são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em caso de falência do banco.

Debêntures, CRA, CRI, também são outros exemplos de títulos de renda fixa – já com mais risco envolvido – que oferecem remuneração maior e prazo de vencimento mais dilatado, com remuneração normalmente atrelada ao IPCA.

O momento, então, é muito propicio para diversificar com esse tipo de investimento, contudo, eles não são para qualquer objetivo e perfil, já que podem oferecer perdas se resgatados antes da data de vencimento.

Os investidores só podem contar com esse rendimento combinado na hora da compra se mantiverem o dinheiro investido até o fim do prazo. Em caso de venda antecipada, você corre o risco de resgatar menos recursos menos do que aplicou, se sacar em um momento de mercado ruim.

Como também, pode sair antes com ganhos. Nesse caso, você pode esperar o ativo valorizar e conseguir um lucro muito bom, sem correr nenhum risco de perda, mas para isso é preciso fazer gestão ativa dos seus títulos do Tesouro Direito. 

E isso não é para o investidor comum. 

O ideal, SEMPRE, é casar o PRAZO DO TÍTULO com o seu PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Se for para a aposentadoria, é bom comprar os mais longos. Para objetivos de médio prazo, é melhor os mais curtos. E para fazer reserva de emergência, não é adequado (IPCA). 

Bons investimentos! E se precisar de ajuda, conte comigo.

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Sobre o Autor

ivanlvianna
ivanlvianna

Sou um carioca da clara, com 22 anos de Mercado Financeiro, que após 10 anos no Private do Banco do Brasil resolveu empreender no mundo privado vindo para o Private do Banco Safra. Com toda minha experiência e conhecimento técnico e académico, decidi ampliar minha gratidão à vida, doando tudo que sei e vivi através deste site, de minhas aulas de finanças e educação financeira, e mentoria/ planejamento financeiro.

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